terça-feira, 10 de janeiro de 2012

é no tropeço da sua dança
que eu caio em desalento.
das coisas de delicadezas, é só o que peço.
despeço, sem nem mais um choro.
em que baú ficaram escondidas as partes
repletas de mim?

nesse fim, melhor assim?
tudo vai mal, já dizia o rei
no blues choroso da madrugada a fio.
mas a vida é boa, e a felicidade

um delírio.
ando devagar porque divago
em cada canto de esquina,
em cada quina de mesa.

em cada estilhaço de vidro
em cada fragmento de tinta
em cada frase, verso,
palavra, entrave

l
e
t
r
a

por

l
e
t
r
a
nessa coisa de ser mundo
te sonho em meus (a)braços
no tango de gardel
no espanhol que eu não falo
na casa em que não vivo
no borges que eu não leio

no teu amor que é só meu.
ano novo
roupa nova

tudo igual sambando na avenida.
das profundezas da gente, se recriam situações em que fomos - ou fingimos ser - felizes. ou alegres, talvez. e a cada ano que passa, na palavra que se cala, na tristeza que se acomoda, no vírus que não se cura, a cabeça, um dia flor, fenece. mas ela renasce. sem muita cor ou perfume, confesso. o que seria melhor? e no inusitado da vida buscamos consolo. como se o imprevisível nos aguardasse com momentos que valem a pena ser vividos. gaste um tempo, puxe uma cadeira que eu pego um prato a mais - sussurra o imprevisível. mas a clássica frase "mais vale um pássaro na mão do que dois sobrevoando" se traduz em "melhor é ficar meio triste, meio apático, meio insatisfeito do que em uma fossa completa". como se uma meia tristeza pudesse substituir uma felicidade.