quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

hoje acordei estúpida.
acordei como alguém que não deveria,
senão, dormir

para evitar as catástrofes emocionais
dos minutos seguintes.
dentro do meu coração
como um pássaro que não se cala
entre as árvores, casas e postes
mora um desassossego tão íntimo que,
com música alguma, se acalma.
já tentei das francesas, dos chicos,
dos betos e das marisas.
já tentei os setentas, os borges.
já tentei, ingenuamente, o som da chuva
que há dias virou trilha sonora das ruas.
já tentei a vida.
mas desconfio que a cura
seja o ritmo secreto do tambor natural
com suas veias e seu líquido
na explosão vermelha e ferro
do peito quente, ardente
na manhã fria.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

eu sinto tanta saudade de mim
é assim
quando se deixa deixar de sonhar.
o som da chuva vem me trazer
memórias de um não sei o quê
que transcende a vida
as cidades
as serras.

e os pequenos sonhos.
mamãe, eu só queria
fugir da vã filosofia
do historicismo alemão
do proletariado.

eu só queria ser poeta.
na descoberta das inúmeras faces
entre o ser, e a vontade,
o lado agressivo vem a tona:

desarmando o homem e seu cigarro na rua.
o galo e seu canto - ininterrupto
imita meu pranto fatigado
na noite.

sem qualquer cometa.